O Vasco precisava vencer o Botafogo — e venceu. Após uma sequência recente de resultados negativos, a equipe comandada por Fernando Diniz entrou em campo neste domingo com a obrigação de superar um rival já classificado e que optou por uma formação majoritariamente reserva. O time cruz-maltino fez valer o favoritismo, dominou o clássico do início ao fim e construiu, com méritos, a vitória por 2 a 0 em São Januário.
Enquanto o Botafogo foi a campo com apenas um titular — o zagueiro Barboza —, o Vasco escalou força máxima. Embora ambos já estivessem classificados, o resultado tinha peso estratégico: evitar um confronto com o Fluminense nas quartas de final da Taça Guanabara e garantir o direito de decidir a próxima fase em casa.
Mais do que a questão matemática, porém, a vitória era fundamental para resgatar a confiança, especialmente diante da torcida vascaína, que enfrentou chuva intensa para apoiar o time no estádio.
Desde os primeiros minutos, o Vasco impôs seu ritmo. Com a linha defensiva alta, pressionou a saída de bola do Botafogo e reduziu os espaços para a equipe de Anselmi. A estratégia passou pela exploração das laterais, aproveitando a velocidade de Piton e Andrés Gómez nas costas dos alas alvinegros — caminho que rendeu bons momentos ofensivos.
O cenário ficou ainda mais favorável após a expulsão de Marquinhos, do Botafogo. Com um jogador a menos, o time visitante teve ainda mais dificuldade para conter o volume vascaíno. Foi justamente em uma jogada de bola parada que o Vasco abriu o placar. Coutinho, já perigoso em cobranças anteriores, levantou na área, a defesa não afastou e Brenner aproveitou a sobra para marcar, afastando a pressão que vinha desde o duelo contra a Chapecoense.
O gol deu confiança ao atacante, que havia desperdiçado oportunidades importantes na rodada anterior. Mais solto em campo, Brenner foi decisivo novamente ao sofrer o pênalti que resultou no segundo gol. A jogada teve um passe preciso de Coutinho pelo meio e um toque de letra de Andrés Gómez antes da falta dentro da área.
Na cobrança, Coutinho converteu e deu tranquilidade ao Vasco para administrar o resultado. Léo Jardim praticamente não foi exigido, trabalhando apenas em um chute de Kauan Toledo e em saídas seguras para interceptar bolas longas.
Retomar a confiança
O desempenho reforça o potencial de evolução do Vasco, especialmente com o amadurecimento da dupla Thiago Mendes e Barros no meio-campo. Mendes teve atuação sólida, ajudando na saída de bola e permitindo que Coutinho permanecesse mais avançado na criação.
Brenner, por sua vez, pode ser uma peça importante para potencializar o jogo do camisa 10. Apesar das falhas contra a Chapecoense, mostrou mobilidade e intensidade pouco vistas recentemente no ataque vascaíno. Seu perfil se encaixa melhor em uma equipe que precisava de um centroavante mais participativo, diferente de um jogador mais fixo como Vegetti.
As derrotas para Flamengo e Mirassol, somadas aos empates com Madureira e Chapecoense, ampliaram a instabilidade que acompanha o clube nos últimos anos. Parte da pressão sobre Fernando Diniz vem da reta final do Brasileirão passado, mas também da ansiedade por uma temporada mais tranquila.
O contexto, no entanto, precisa ser considerado. O Vasco perdeu Rayan e Vegetti, responsáveis por cerca de 50% dos gols do último ano, e ainda integra reforços que não completaram sequer cinco partidas. Brenner e Hinestroza, por exemplo, ainda buscam o melhor nível físico, técnico e de entrosamento.
A vitória sobre o Botafogo — especialmente com gol de Brenner — ajuda a acalmar o ambiente. O Vasco avança às quartas de final com a melhor defesa da Taça Guanabara, com apenas três gols sofridos em seis jogos, um dado que reforça a consistência defensiva da equipe.
O próximo desafio será contra o Bahia, na quarta-feira, pelo Brasileirão. Um novo triunfo em São Januário, diante de um adversário qualificado, pode embalar o time justamente em um momento de chegada de reforços como Cuiabano e Spinelli, além da proximidade de jogos decisivos no Estadual e no campeonato nacional.