Análise: Palmeiras tem problemas, mas postura aguerrida garante vitória simbólica em meio à reconstrução
Verdão faz primeiro tempo fraco, cresce após o intervalo e vence o Corinthians no primeiro Dérbi depois de um ano de frustrações
Por Administrador
Publicado em 09/02/2026 09:48
Esporte
Assessoria

O Palmeiras não pode afirmar que fez uma grande atuação na Neo Química Arena, mas a vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians traz elementos positivos importantes. O resultado, além de garantir a classificação antecipada ao mata-mata do Campeonato Paulista, pode representar a “casca” que ainda faltava a um grupo em processo de reconstrução, iniciado na temporada passada.

O Dérbi vinha sendo um obstáculo para o Verdão em 2025. O vice-campeonato paulista, a eliminação na Copa do Brasil e apenas uma vitória sobre o arquirrival ao longo do último ano deixaram marcas sentidas internamente na Academia de Futebol. Em um início de Paulistão ainda longe do ritmo ideal, a equipe precisava dar uma resposta — principalmente em termos de postura.

Com a mesma escalação que goleou o Vitória por 5 a 1 na quarta-feira, o Palmeiras não conseguiu repetir a fluidez ofensiva da rodada anterior. Andreas Pereira encontrou dificuldades para construir por dentro, bem marcado, e o time de Abel Ferreira passou a recorrer excessivamente à bola longa.

Vitor Roque virou a principal válvula de escape, mas acabou exercendo uma função que não potencializa suas características, atuando quase como ponta esquerda e longe da área. Mauricio, pela meia esquerda, participou pouco das transições, enquanto Flaco López saiu demais da referência ofensiva, sem conseguir dar sustentação à posse de bola.

O cenário resultou em um primeiro tempo de maior controle corintiano, com quase 60% de posse. Além da dificuldade ofensiva, o Palmeiras sofreu na marcação pelos lados do campo. Quando o Corinthians girava a bola, Mauricio e Allan se fechavam demais pelo centro, oferecendo espaço nos setores de Khellven e Piquerez. Ainda assim, a principal chance antes do intervalo foi alviverde: o pênalti desperdiçado por Memphis.

Na volta do intervalo, o Palmeiras se mostrou mais equilibrado, sem a ansiedade de forçar lançamentos longos desde a defesa. Aos 17 minutos, Abel Ferreira promoveu a entrada de Luighi no lugar de Vitor Roque. A mudança trouxe mais intensidade e combatividade na pressão no campo ofensivo.

Foi justamente Luighi quem criou, até então, a melhor chance da partida ao roubar a bola de Matheuzinho e conduzir sozinho até a área adversária. Na finalização, acabou desarmado. Pouco depois, porém, o Verdão foi eficiente. Flaco López aproveitou o rebote de Hugo Souza e abriu o placar, em um lance que desencadeou confusão generalizada na comemoração.

Após o gol, o Palmeiras apresentou a postura que a torcida sentiu falta nos Dérbis do ano passado: um time aguerrido, competitivo e consciente na defesa, capaz de neutralizar a pressão corintiana nos minutos finais.

Com apenas 42% de posse de bola e dez finalizações, contra 13 do rival, o Palmeiras ainda tem muitos ajustes a fazer. O desempenho está longe do ideal.

 

Mas iniciar a temporada com três vitórias em três clássicos traz tranquilidade para corrigir os problemas e reforça a confiança de que o time pode voltar a crescer em jogos grandes — como fez de forma consistente até 2023.

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